Enquanto Houver Saudade (Custódio Mesquita e Mário Lago)
Não posso acreditar
Que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Daqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar
Não posso acreditar
Que hoje não sintas
Saudade dessa história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem pra escrever o verbo amar
Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim
O amor passa mas deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração
Foi engraçado quando descobrimos que gostávamos de Offspring. A gente nem percebeu que conversou por horas seguidas. Apesar de sermos até então desconhecidos, era incrível ver o quanto tínhamos em comum.
Horas se passaram enquanto falávamos sobre filmes. "De volta para o futuro", lembramos quase juntos.
Era uma dessas noites de carnaval, festa que nenhum de nós dois gostávamos muito. Estavámos no carro, prontos para tentar um beijo, e os assuntos eram tantos, a timidez era grande, e o desejo mútuo de agradar também nos fazia extremamente atenciosos.
Como prevíamos, namoramos... Pouco tempo. Mas um tempo singular e especial. 3 meses de alegria. Onde vivi o primeiro e mais lindo amor.
Ao qual me permiti apegar, ao qual confessei ciúme, ao qual não me envergonhava de demonstrar amor. Aprendi a apreciar seus gostos, aprendi a me perder em seus olhos azuis. Aprendi que o que mais me dava prazer era acariciar seus cabelos, quando você chegava de surpresa, depois de um dia de trabalho.
Ele sabia ser surpreendente. Sabia fazer com que simples chocolates fossem presentes inesquecíveis, só por serem presentes em momentos certos. Sabia me deixar segura de que era amada e sabia demonstrar o quanto eu era especial. Sabia me deixar pensando que eu era linda, só pelo modo como me olhava. Sabia ser o cara mais lindo que eu já conheci e soube ser também uma história sem fim na minha vida...
Ele é a pessoa por quem eu queria voltar no tempo. Voltar e fazer tudo diferente depois daquele dia, quando, como um cavalheiro, ele terminou nosso namoro porque ia se mudar para outra cidade e eu não merecia sofrer...
Eu devia ter feito tanta coisa. Ter ido atrás. Ter sido menos orgulhosa quando soube que não tinha dado certo a mudança e que ele estava saindo à toa com outras meninas.
Devia não ter ouvido quando todo mundo me dizia que você não era pra mim e que nunca daríamos certo. Devia ter tapado os ouvidos para o que diziam de você e devia ter ouvido meu coração.
Devia ter levado em conta o que vivemos e a sinceridade em que vivemos. Ele foi a pessoa mais digna e verdadeira que eu conheci. A única pessoa que jamais traiu minha confiança... A pessoa que eu queria ter tido ao meu lado pela praia ou apreciando um luar.
Talvez eu lembre com tanta nostalgia e paixão porque esses meses foram perfeitos. Não houve tempo para brigas, decepções, desentendimentos. Ficou a imagem que você era perfeito e que eramos o casal mais perfeito... Ficou a impressão de que você jamais será esquecido e de que repentinamente poderemos nos encontrar de novo... Ou não... Provavelmente não... Temos vidas bem diferentes hoje... Não importa... Vai ser pra sempre a imagem do que podia ter sido ideal.

... Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!“
(Fernando Pessoa)
É impressionante a tendência do ser humano em se acomodar. De procurar atalhos que substituem seus verdadeiros caminhos. Claro, é muito mais simples buscar a felicidade no caminho mais curto. Ela vem mais rápido. Mas vem mais superficialmente também.
Nessa altura do campeonato, já devíamos saber que ao nos pouparmos do envolvimento, perdemos também experiências valiosas.
Não é tão doloroso assim errar. Mais ainda: não dói voltar atrás, pedir perdão. O arrependimento cultiva a nossa alma, apara as nossas arestas.
Talvez o que mais iniba o arrependimento é a apatia. Aprendemos a aceitar o que não nos agrada. Ou por medo de arrumar uma encrenca maior, ou por medo de perder a situação que já é nossa, ou por acreditar que não merecemos algo melhor. Engano nosso... Devíamos saber nos revoltar contra o que já não nos agrada.
O segredo é valorizarmos a pessoa mais importante do mundo. Aquela que te faz feliz, que às vezes te deixa triste. Aquela que é e deve ser responsável pelas decisões da sua vida. Aquela pessoa que pode realizar todos os seus sonhos. Aquela pessoa que muitas vezes você a coloca depois dos outros. A única pessoa que pode mudar sua vida... Você mesmo!