
Aprecio muito nossa literatura. Gosto de passar horas lendo, relendo, parafraseando. Acho que nesse ponto sou um pouco nostálgica. Às vezes acho que jamais serão produzidas obras próximas as de Machado de Assis, José Mauro de Vasconcelos, José de Alencar, etc. Não por falta de competência, mas sim porque aquele "ambiente de romantismo", dos saraus, dos vestidos de bailes, das mocinhas puras, dos pais rigorosos, já não existem mais.
Mas, voltando ao assunto, hoje comento o livro "O feijão e o sonho", de um autor contemporâneo: Orígenes Lessa. O livro é de 1976 e o autor é do interior de São Paulo - Lençois Paulista: a cidade que tem mais livros do que habitantes.
Apesar de ser um livro "novo" senti nele algo que me remetia àquele passado que me referi. O feijão relacionava-se com a realidade, e era representado pela esposa. O sonho era vivido pelo marido.
O livro me fez pensar em quem será o certo? Aquele que tem pés no chão, que sabe onde pisa, que tem ambições reais, que sabe que a vida é dificil e que por isso tem-se que seguir em frente. Ou aquele que vive de sonhos, sem se preocupar muito com futuro, que vive o presente, que não se preocupa em ganhar dinheiro: preocupa-se com sua satisfação pessoal.
Durante o livro, tenho a impressão de que a esposa é a maior sofredora, pois além de saber e enfrentar sozinha os problemas da família, precisa lidar com o lunático marido. Mas no fim, percebi que quem sofreu realmente foi o marido, que tinha tantos sonhos, tanta ingenuidade, que confiou tanto nas pessoas, que achou que a vida poderia ser mais colorida e que levou um choque ao notar que nada era como ele pensava. Que a vida que ele queria levar jamais poderia ser vivida. Jamais seria suficiente para sustentar sua família. E as coisas que ele achava importantes não tinham importância para as pessoas que realmente importavam.
Talvez o correto seja sermos tanto o feijão, como o sonho. Mas é díficil encontrar esse equilíbrio e saber realmente quem sofreria menos: aquele que não sonha porque sabe das dificuldades da vida. Ou aquele que é tão ingênuo a ponto de esperar que o mundo seja o mar de rosas que se imagina, que as pessoas são sinceras e que os homens são honestos.
E você? é o feijão? ou o sonho?
Leitura Recomendada!!!

Este filme tem uma sensibilidade tão grande que cativa até o mais durão telespectador. Veja o resumo, antes de eu comentar sobre ele:
"Nos anos 90 David (Tobey Maguire) é um jovem solitário, que não é feliz com sua vida e foge da realidade assistindo "Pleasantville", um seriado em preto e branco dos anos 50 onde tudo é agradável. Mas tudo muda bruscamente quando Jennifer (Reese Whisterpoon), sua irmã, que sexualmente muito mais ativa que David, briga com ele pela posse de um estranho controle remoto, que apareceu através de um igualmente estranho técnico de televisão (Don Knotts), que chegou repentinamente logo após eles terem quebrado o antigo controle. Durante a briga eles apertam o novo controle e são magicamente transportados para dentro da fictícia "Pleasantville" e lá se tornam Bud e Mary-Sue Parker, dois personagens da série. Eles de repente se vêem em um mundo todo em preto e branco. David leva alguma vantagem sobre sua irmã, pois como conhece muito bem o seriado, sabe quem são estes novos "conhecidos" e qual a importância que eles têm na vida de Bud e Mary-Sue Parker. Sob estes nomes fictícios, tornam-se filhos George Parker (Wiliam H. Macy) e Betty Parker (Joan Allen), que são pais adoráveis em um lugar onde todos são felizes, não há sexo e ninguém nunca precisa ir ao banheiro. David quer sair da situação como também a irmã dele, mas considerando que ele tenta se enturmar (sem esforço, com o conhecimento dele), ela faz o que ela gosta de fazer. Um evento conduz o outro e de repente uma rosa vermelha cresce e logo mais regras são quebradas e surgem novas cores e, se tudo não é tão agradável, com certeza tem mais emoção. Mas inicialmente nem todos gostam destas mudanças."

Vivemos fugindo de problemas. Evitando envolvimentos para que possíveis decepções sejam evitadas.
Criamo relacionamentos superficiais, para que consigamos nos manter distantes e frios diante de uma possível perda. Criamos uma bolha de vidro e passamos a viver dentro dela, para que nada, nada possa abalar a nossa "calma".
Mas a vida não é e não pode ser assim.
Vive mais quem enfrenta sem medo a realidade. Quem se envolve, sem ter medo de se ferir. Quem ama pura e simplesmente porque o amor é pra ser amado. Quem se doa para uma amizade. Quem se entrega de corpo e alma para um novo projeto. Quem luta, até o último segundo.
Devíamos aprender a sempre tirar ensinamentos de tudo... Os maiores professores na escola da vida são os problemas, os sofrimentos, as tristezas, as decepções. São eles que nos ensinam a tentar de outra forma, a buscar um novo caminho, rumo à vitória.
Muitas pessoas vivem no quase. Quase se entregam à paixão. Quase conquistam um sonho. Quase têm melhores amigos. Quase vivem momentos inesquecíveis. E quase são felizes.
NInguém precisa buscar problemas e perigos para viver intensamente. Basta que você seja feliz apesar dos problemas que já tem. Que não queira fugir, ou mostrar para os outros que é tudo perfeito. Aliás, não temos que mostrar nada para os outros. A felicidade é individual e a busca por ela cabe exclusivamente a nós mesmos.
Acredito que vive melhor quem ao invés de admirar de longe um jardim, vai até um campo vazio e feio e planta as mais belas flores. E conquista os mais belos visitantes: beija-flores, borboletas, homens...

Conheci um sebo no centro da cidade. Que lugar encantador. Passei toda a minha tarde livre de sábado lá, sem nem perceber que o tempo passava. Cada coisa que encontrei!
Exemplares do "Cruzeiro", "O feijão e o sonho" a R$2,00- lindo esse livro, qualquer eu comento sobre ele.
Aí fiquei pensando em algumas coisas... Será que meus filhos, ou melhor, meus netos ainda lerão livros? Eu acho tão mágico você abrir um livro e partir para um universo novo, onde o que manda é a sua imaginação, dirigida pelo autor do livro. Fico tentando imaginar minha vida sem livros. Desde criança eu sou fanática por livros. Lembro que pequenininha eu à casa da minha bisavó. Lá tinha uma biblioteca. E eu passava horas ali. Meu primeiro livro adulto foi "Poesias Completas de Guilherme de Almeida". Que livro cativante. Que poesias belas. Lembro-me decor de uma...
"Onda:
Morno
contorno
da onda
redonda...
Pluma
de espuma,
lenda
de renda,
frase
de gase,
riso
de guizo...
Ninho de arminho
onde
se esconde
aéreo
mistério...
Trapo,
farrapo,
lenço
suspenso
pelas
estrelas..
Resto
de um gesto
louco
que é o pouco
que há de
bondade
no alto
mar...Salto
da água
na mágoa
doida
de toda
vida
partida..."
Não é somente a sonoridade e a forma que cativam. Mas também a exata e perfeita utilização das palavras, dos significados, dos sentimentos. Quando pequena, eu achava bonita as rimas. Depois me ative à letra. "Resto de um gesto louco, que é o pouco que há de bondade." Guilherme de Almeida, modernista do início de século já sabia o que hoje nos constatamos... Gestos de bondade, amizade. Coisa rara.
Depois, li o romance que toda menina deve ler. "A moreninha". E depois nunca mais parei de ler.
Acho tão importante a leitura. A educação depende disso.
Depois de conhecer aquele sebo, constatei outra coisa. O preço. Muitas vezes o preço de um livro é totalmente inacessível. E torna-se muito agradável encontrar locais que disponibilizem grandes obras a partir de R$2,00. Gostei mesmo!

"Eu não abro mão nem por você, nem por ninguém. Não me desfaço dos mus planos..." (20 e poucos anos - Fabio Jr)
Essa é a idade mais mágica que existe. Com 20 anos achamos que tudo, Tudo esta a nosso alcance.
É a fase dos planos, fase em que sonhamos mudar de cidade, estado, país. Fase onde temos certeza que ficaremos ricos. E quando temos certeza de que o mundo não é tão complicado quanto parece. Nem tampouco injusto, sagaz e temível.
Acabo de entrar nos 20. Alias, estou quase nos 21. E o que mais me assustou quando entrei nessa fase foi o dever, a obrigação de ser.
Até então eu vivia. De qualquer modo. Pra onde o vento levava. Era mais jovem, sem responsabilidade.
Agora não. Este ano a faculdade acaba. E já tenho a obrigação de lutar. Lutar pra dar tudo certo.
O que não me falta são planos e projetos.
Alguns mais loucos, outros mais possíveis. O importante é ter sempre vários planos, caso algum se perca pelo caminho.
O que não pode é não ter mais planos. Lembro de um amigo, que aos 23 tinha tantas metas a atingir e hoje, aos 29, caiu naquele marasmo de "Assim já está bom..." e desistiu de inovar. Perdeu aquela boa ambição em relação a vida. Contentou-se com o que tem e não espera mais nada.
Acredito que devíamos manter a magia dos 20 anos sempre. Aos 30, 40, 50, 60 etc... é isso o que nos motiva a viver. Ter sempre novos planos e projetos.
Nunca parar...
Fábio Jr. acertou em cheio nessa música. Esta é a fase onde sempre podemos e acreditamos que podemos ir além.
"Você já sabe, me conhece muito bem.
Eu sou capaz de ir e vou muito mais além, do que você imagina"
E tudo isso porque nessa fase nós sabemos que "na vida tudo tem seu preço e seu valor, e eu só quero nesta vida é ser feliz"...
Nessa fase, a gente não abre mão de ser feliz!