Ex-namorada: substantivo feminino que nos causa ódio, temor e ciúme, principalmente ciúme.

Como é difícil lidar com a ex dele. Aliás, lidar com o passado é complicado. Já me perco pensando no meu passado e como se não bastasse preciso lembrar do passado dele.
Será que alguém pode explicar por quê alguém que já passou na vida dele, alguém que talvez ele nem se quer lembra, nos causa tanto nervo?
Eu vivia me perguntando isso. Até que um dia, veja só como é a vida... Uma amiga veio me contar que a atual namorada de um ex-namorado - cuja qual mal me lembro - vive perguntando de mim. Diz que tem ciúme, que acha que eu posso querer o namorado dela de volta, que me acha mais bonita que ela e etc.
Para tudo!!! Essa moça está com receio de mim, a ex-do-namorado dela, assim como eu tinha receio da ex-namorada do meu namorado. É mulheres, somos parecidas mesmo!
Pensando nisso, acho que hoje o meu receio diminuiu. Afinal, eu sou uma ex-namorada, e não quero o meu ex-namorado de volta! Assim, acho que posso continuar a ser feliz com o meu namorado... Até eu tentar complicar mais alguma coisa...

O mar me fascina. Posso ficar parada diante dele por horas seguidas e sempre encontro algo novo para contemplar ou então uma nova resposta para minha vida, que vem apenas com o movimento de uma onda.
Desde pequena fui assim. Hoje sinto falta da água salgada se fico muito tempo sem ir à praia.
Tenho a ilusão de que seria mais completa se eu vivesse no litoral. Acho que teria uma vida mais regrada, que eu cuidaria mais de mim. Física e Psicologicamente.
O mar geralmente se parece comigo. Se estou triste, ele compartilha comigo essas tristezas, me mostrando as paisagens mais melancólicas e belas que já vi. Faz-me ver que há algo a mais, além da tristeza.
Se estou alegre, ele me recebe aconchegantemente com uma onda, que limpa a alma.
Existem os que chamam o mar de traiçoeiro. Eu não penso assim. Acho que ele é justo. Dizem que ele engana os mais desavisados que abusam de suas águas. Eu acho que ele é claro. Quando está de ressaca, mostra logo a quem quer que seja sua ira. São as pessoas que lhe invadem. Traiçoeiro. Isso ele não é.
Muitas vezes eu penso no mar como uma mulher. Aquela que sabe acolher a quem quer que seja. Que fotalece os que dela precisam. Que repreende os que merecem. Que muda constantemente, conforme a lua. Que às vezes se descontrola. Que às vezes invade espaços, como a maré.
Um dia desses, fiquei em uma pousada. "Dona Felicidade" chamava. Nome propício. Um lugar simples e tranquilo, há poucos metros da praia. Meu amor ao meu lado, e nós acompanhados do mar. Dias Perfeitos.
Pretendo ainda morar na praia. Espero apenas que a magia não se quebre com o cotidiano, e eu não perca o encanto desta paixão. Tomara que o mar sempre exerça esse fascínio em mim.

Quando você viu aquele cara lindo, sarado, com bom papo, pensou é esse... Quero pra mim. E por um acaso da vida, ele também te quis. E vocês se deram bem... O namoro começou, continuou e perdura até hoje. E lá se vão 2 anos.
Dizem que este é o tempo necessário para uma crise existencial do namoro. Na maioria das vezes essa crise é feminina. Exatamente. Nós, namoradas, apaixonadas, que sempre sonhamos com um príncipe encantado, nós colocamos a prova nossa relação.
Antes aqueles defeitos do namorado não nos incomodavam. Antes os amigos deles eram simpáticos. Antes ele não tinha barriga e as entradas dos cabelos eram menores. Antes... E agora passaram-se 2 anos.
Talvez essa crise seja causada porque, conforme o tempo que se passa, você vai se dando conta que, provavelmente vai se casar. Com este namorado. E agora? Será que é ele mesmo?
Será que você merece conviver com um aborígene que odeia shopping center; que adora esnobar os milhares de amigos que ele tem; e o mais grave: que é sãopaulino, sendo que você é louca pelo Palmeiras?
Momento de histeria. Voltando à ordem normal. É provável que você se case com ele sim. Sabe por quê? Porque ele foi o cara que te aturou por mais tempo. Porque ele te viu de havaiana e meia e não terminou com você. Porque ele aguentou você falando horas seguida initerruptamente. Porque com o passar do tempo, ele foi se tornando um amigo conselheiro. Porque por você ele deixou a vida de solteiro e preferiu ter alguém do lado. Porque vocês foram padrinhos de casamento daquela sua amiga e todo mundo dizia: vocês serão os próximos. Porque vocês se sentem à vontade um com o outro. Porque sua sogra vive te mimando e pedindo um netinho. Porque você ama mesmo o cara. E pior, ele te ama também... Mas é difícil, é difícil aceitarmos uma vida descomplicada assim...
Não, meu nome não é Aurélia. Aurélia é uma homenagem a uma certa "Senhora", conhecida de José de Alencar. Admiro muito esta heroína. Um tanto quanto romântica, orgulhosa, sábia, digna e injusta, como todas nós mulheres.
Acredito que se eu tivesse vivido uma trama parecida com a de "Senhora", eu também teria adiado por muito tempo minha felicidade... Tolices... Sim, nós às vezes as cometemos, pensando estar acertando alguma coisa. Somos duras, cegas e quando nos damos conta percebemos que esquecemos da pureza de ser uma mulher. Melhor assim. É isso que nos faz únicas, imprevisíveis e cativantes.
Muito prazer. A partir de hoje você conhece as impressões de Aurélia. Não. Não vamos falar apenas de nossos relacionamentos e suas reviravoltas. Sabemos discutir muito mais do que isso.
"Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor?
Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse.
A convicção geral era que o futuro da moça dependia exclusivamente de suas inclinações ou de seu capricho; e por isso todas as adorações se iam prostrar aos próprios pés do ídolo.
Como acreditar que a natureza houvesse traçado as linhas tão puras e límpidas daquele perfil para quebrar-lhes a harmonia com o riso de uma pungente ironia?" (José de Alencar)